quinta-feira, 7 de setembro de 2023

7 de setembro


Os quadros pintados jamais traduziram o que realmente aconteceu. Aliás, foram todos uma construção para elevar o senso de patriotismo e criar a figura do "herói nacional", que perseguimos através dos séculos. A independência deu-se após diversas revoltas separatistas, principalmente, a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, mas foram tantos os interesses de vários reinos  europeus, que hoje eu não a vejo como um evento popular, mas fruto de uma profunda discussão palaciana e política. Fruto do que seria "mais conveniente". Aliás Pedro fazia um "tour" pelo interior quando o mensageiro o alcançou e ele leu sobre a independência pré-aprovada no palácio da Quinta da Boa Vista. Depois o povo pagou, o império reuniu e transferiu esses valores para que outras nações reconhecessem que esta nação se tornara independente. Não foi algo tão emocionante mas puramente uma sucessão de atos administrativos.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Essa tal "dona" deflação...

 Segunda-feira é um dia onde geralmente eu penso sobre o futuro, especialmente, em aspectos econômicos... Hoje li uma notícia sobre a deflação. Que ela foi utilizada em junho e que existe previsão para utilização desse fenômeno em julho, também. O detalhe que me preocupa, é que essa pátria não é "boa com contas" e a história prova isso. Utilizar um fenômeno pode até ser bom, mas quando o fenômeno se torna um mecanismo de repetição preocupa!... Quando a deflação passa por períodos muito longos ela pode representar grande risco para a economia; e eu lembro muito bem dos anos 80 e 90. Quando uma queda brusca nos preços acontece pode ocasionar uma grande alta no desemprego fazendo com que o país enfrente uma possível crise econômica, e nós "das antigas",  já vivemos muitas! Acompanho no meu cantinho observando a marcha dos dias, olhando tudo com certo ar de "de-já-vu". 

Tomara eu esteja errada...




quarta-feira, 26 de abril de 2023

Morgana - a detetive genial. Uma série policial abordando a hiperatividade!

 Uma série policial abordando a hiperatividade!


Embora no Brasil as descrições dêm destaque ao alto grau de inteligência, a série mostra muito mais o que é a personalidade do portador da síndrome de hiperatividade.

Veja só:

A vida da protagonista é uma bagunça. Ela não se importa com o que as pessoas dizem, tem poucas habilidades sociais, tem uma inteligência extraordinária o que não a ajuda em sua vida diária, tem  absoluto desprezo por qualquer tipo de autoridade o que a torna incapaz de manter um emprego estável, vive em um caos constante, interrompe as pessoas, tagarela incessantemente em horas impróprias, presta a atenção no que ela quer, mantém a casa totalmente desorganizada e sua vida emocional nunca entra nos eixos. 

Familiar?

Pois é!

A série policial franco-belga Morgana, trata da hiperatividade associada ao alto QI (ao estilo de "The good Doctor' e "Doutor Milagre", que usaram a fórmula com a síndrome do autismo), mostrando a supremacia desta síndrome no comportamento que resulta na vida desorientada da protagonista de 38 anos, e principalmente, demonstra o drama que os portadores enfrentam, tentando se impor apesar do pouco respaldo dos "amigos" e a falta de apoio materno aos seus projetos, pois, segundo as palavras da mãe da protagonista: "nunca dão certo".

Na primeira temporada entende-se o básico:

1. Ela mal estudou por achar tudo um tédio e não prestar a atenção suficiente para estudar para as provas. 

2. Seu filho "do meio", possui as mesmas características, e ela vive sendo chamada na escola, porque o menino "não se adequa, sendo disperso, desatento" além de "atrapalhar a aula e os colegas".  

3. Aos 38 anos é mãe amorosa de três filhos de dois pais diferentes e para pagar as contas, trabalha à noite como faxineira em uma delegacia local. 

4. Descuidada e hiperativa, ela acaba deixando cair uma pasta com o arquivo de um crime, observa o quadro de suspeitos e para "consertar" elabora uma teoria. No dia seguinte, a chefe do setor percebe a lógica e elucidação provável do crime, e como nenhum detetive assume ter feito tal relação, ela desconfia da faxineira e a pressiona. Morgana confessa e espera ser demitida, mas recebe um convite para atuar como consultora no departamento de investigações.

Na segunda temporada, quando vai fazer um curso para adequá-la nas funções de consultoria investigativa, seu instrutor se refere a ela como "uma aluna deficiente", e que ele jamais havia trabalhado com "alunos com esse problema de baixa concentração", e até pede desculpas pelo despreparo.

Em síntese:

Morgana é muito familiar para pessoas como eu que convive diariamente com uma pessoa portadora de hiperatividade.


É a única série que se prestou a demonstrar a existência da síndrome sem estereotipar, demonstrando os dramas interiores, sensação de culpa e solidão, e o "jeitinho maluquinho" tão natural dos hiperativos. Por isso mesmo, excelente!

sábado, 7 de janeiro de 2023

Quer falar sobre facismo, então entenda o que é!

Como a ignorância campeia, e ninguém presta a atenção nas aulas de história "porque cansa", porque é preciso pensar, registrar conceitos, interpretar comportamentos e razões de época, eu explico! 

Explico porque detesto repetição de frases feitas, na maioria equivocadas e que se traduzem em puro modismo.

Quer falar sobre facismo? Então entenda o que isso é! E depois, pare de dizer bobagem por aí, porque intelectual de verdade não fala nada sem conhecimento.

Dez dicas para não falar abobrinhas! Vamos lá:

1- O fascismo italiano, também conhecido como fascismo clássico ou simplesmente fascismo, é a ideologia fascista original desenvolvida na Itália por Giovanni Gentile e Benito Mussolini. 

2- A ideologia está associada a uma série de dois partidos políticos liderados por Benito Mussolini: o Partido Nacional Fascista (PNF), que governou o Reino da Itália de 1922 a 1943, e o Partido Fascista Republicano (PFR), que governou a República Social Italiana de 1943 a 1945. 

3- O fascismo italiano também está associado ao Movimento Social Italiano (MSI) do pós-guerra e aos movimentos neofascistas italianos subsequentes. 

4- O fascismo italiano estava enraizado no nacionalismo italiano, no sindicalismo nacional, no nacionalismo revolucionário e no desejo de restaurar e expandir os territórios italianos, que os fascistas italianos consideravam necessário para uma nação afirmar sua superioridade e força e evitar sucumbir à decadência. 

5- Os fascistas italianos também afirmaram que a Itália moderna era a herdeira da Roma antiga e seu legado, e historicamente apoiaram a criação de uma Itália imperial para fornecer "spazio vitale" (espaço vital) para a colonização por colonos italianos e para estabelecer o controle sobre o Mar Mediterrâneo.  

6- O fascismo italiano promoveu um sistema econômico corporativista, pelo qual os sindicatos de empregadores e empregados estão ligados em associações para representar coletivamente os produtores econômicos da nação e trabalhar ao lado do estado para definir a política econômica nacional.

7- Este sistema econômico pretendia resolver o conflito de classes por meio da colaboração entre as classes. 

8- O fascismo italiano se opôs ao liberalismo, especialmente ao liberalismo clássico, que os líderes fascistas denunciaram como "a derrocada do individualismo". 

9- O fascismo se opôs ao socialismo por causa da frequente oposição deste último ao nacionalismo, mas também se opôs ao conservadorismo reacionário desenvolvido por Joseph de Maistre.                                                 Acreditava que o sucesso do nacionalismo italiano exigia respeito pela tradição e um senso claro de um passado compartilhado entre o povo italiano, ao lado de um compromisso com uma Itália modernizada. 

10- Originalmente, muitos fascistas italianos se opunham ao nazismo, já que o fascismo na Itália não defendia o nordicismo e inicialmente não defendia o anti-semitismo inerente à ideologia nazista, embora muitos fascistas, em particular o próprio Mussolini, tivessem ideias racistas (especificamente anti-eslavismo) que foram consagrados na lei como política oficial durante o regime fascista.                                                           À medida que a Itália fascista e a Alemanha nazista se aproximavam politicamente na segunda metade da década de 1930, as leis e políticas italianas tornaram-se explicitamente anti-semitas devido à pressão da Alemanha nazista (embora as leis anti-semitas não fossem comumente aplicadas na Itália), incluindo a aprovação da Lei Racial Italiana.                   Quando os fascistas estavam no poder, eles também perseguiram algumas minorias linguísticas na Itália. Além disso, os gregos no Dodecaneso e no norte do Épiro, que estavam sob ocupação e influência italiana, foram perseguidos.

Depois dessas explicações ficou bem claro o que foi o facismo. 

Caso você conheça algum nacionalista, saiba que ele pode ser capitalista, comunista, anarquista porque nacionalismo só não transforma ninguém em facista ou nazista. E pare de repetir modismos vocabulares porque os coleguinhas dizem. Não faça propaganda auto-intelectualmente-destrutiva. Seja um bom conhecedor de história!




Gringos e a economia

Escrito ontem, 6 de janeiro, pouco após a meia-noite, após ler uma grande bobagem anti Tio Sam. Falta de conhecimento é um.caso sério...

Digam o que quiserem, mas é importante dar a mão à palmatória: os gringos sabem enxugar a máquina federal e investem pesado no que é essencial. 

Por lá os Departamento Executivos Federais são ramificações primárias do poder Executivo do Governo federal dos Estados Unidos, sendo análogos aos ministérios em sistemas parlamentaristas ou semi-parlamentaristas. 

Como os Estados Unidos são uma república presidencialista, o Presidente 

acumula funções de chefe de Estado e de governo simultaneamente, e os quinze  departamentos executivos (equivalentes ao que conhecemos como ministério por aqui) servem de apoio ao governo.

Olha isso, quinze departamentos... Lá


são apenas quinze! E o FBI, pra quem não sabe (mas conhece de séries e filmes), é uma unidade de polícia do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, servindo tanto como uma polícia de investigação quanto serviço de inteligência interno. Não se trata de um departamento extra! Lá é tudo vinculadinho. 

Mas isso é coisa da América, uma pátria que perfeita não é, mas que soube fazer escola e criou um modelo que deu muito certo. Por isso são o que são, como país...

E que não venham com a cantilena de que os gringos são imperialistas! Nós também fomos no passado, quando expandimos nosso território no tempo do império. A diferença é que com o correr do tempo, perdemos a competência para exercer esse "munus", e só restou a saudade, além de uma certa inveja por ter perdido essa qualidade.

Mudando de paus para pedras, fico aqui imaginando: se eles não tivessem neve, furacões, poderiam produzir safras três vezes ao ano! Diga-se de passagem, esse feito agrícola é única coisa que fazemos melhor que eles, porque de resto perdemos feio!





quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

O rei do futebol partiu


Pelé, o rei: 

Graças a ele o futebol brasileiro obteve reconhecimento. Partiu da vida para a imortalidade e viverá nos corações e mentes de todos que reconhecem seu mérito. E ainda deixou uma citação brilhante sobre a falta de cultura política de nosso povo: 

"O brasileiro não sabe votar".

Muitos o criticaram por isso e o futuro demonstrou a imensidão do despreparo que perdura como uma espécie de instituição nacional.

Mas Pelé foi grande em sua trajetória, seu nome é mundialmente conhecido e agora tornou-se eterno!

Descanse em paz majestade.🙏🏻

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Crer ou não crer em pareceres politicamente isentos?

Crer ou não crer em pareceres politicamente isentos? Eis a questão!

Muito bem, eu sou filiada a um partido. Obviamente, minhas convicções mais profundas estão a ele vinculadas, pois assim como no futebol e nas escolas de samba, escolhemos um cujo princípio nos envolve e vamos em frente nessa fidelidade por opção clara e espontânea.

Pois bem, o min. Alexandre de Moraes é filiado ao PSDB, foi secretário duas vezes nas gestões tucanas em São Paulo e foi do primeiro escalão do governo Temer.

Como o PSDB virou um elemento pardo junto ao Partido dos Trabalhadores já faz algum tempo, que o agora ministro, foi alvo de 13 indicações seguidas feitas por presidentes do PT, para o cargo no Supremo. 

Não questiono os meios e tão pouco o favoritismo. Também não me importam os meios para angariar tanta simpatia. Qualquer pessoa quer subir na vida, e não preciso cursar uma faculdade de Direito para ter esse desejo. 

O problema em qualquer área de atuação, é: como se comportar, quando usar a faculdade legal de dizer "sou suspeito para analisar tal assunto, prefiro me abster", e quando se manifestar de maneira isenta e descomprometida.

Em meio à grave crise política pela qual passava o país, na época sob o impacto da operação Lava Jato, a indicação do então ex-membro do Ministério Público Alexandre de Moraes, foi alvo de críticas por sua suposta falta de imparcialidade.

Suposta falta de imparcialidade...

Para os opositores da sua nomeação, Moraes foi indicado ao Supremo para barrar as investigações contra membros do governo Temer e sua base no Congresso. 

Realmente não houveram grandes investigações, a exceção do que ocorreu com a ex-presidente Dilma Rousseff.

Pois bem, voltando só um pouquinho,  Alexandre de Moraes saiu do Ministério Público, deu início a uma trajetória que incluiu cargos de destaque na prefeitura e no governo de São Paulo, foi promotor de Justiça da Cidadania e assessor do procurador-geral do Estado entre 1991 e 2002, quando, aos 33 anos, se tornou o mais novo secretário de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado, escolhido por Geraldo Alckmin (PSDB), com quem voltaria a trabalhar anos depois.

Após a passagem pelo CNJ, entre 2005 e 2007, trabalhou na gestão de Gilberto Kassab (PSD) na Prefeitura de São Paulo entre 2007 e 2010. No período, acumulou os cargos de presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), da São Paulo Transporte (SPTrans) e de secretário de Serviços e de Transportes, o que o transformava numa espécie de supersecretário.

Em 2015, voltou a participar de uma gestão de Alckmin, desta vez como secretário da Segurança Pública. 

Analisando até aqui, parecia uma boa trajetória para uma carreira política, concorda comigo?

Pois bem, embora ele tenha construído uma carreira acadêmica voltada aos  direitos humanos, passou a ser visto com grande rejeição por movimentos sociais, que viram uma atuação "truculenta" por parte da polícia durante sua gestão.

Então era adepto de ações contundentes ou excessivas. É o que se presume.

Prosseguindo... 

Nomeado como ministro da Justiça logo após a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, em maio de 2016, findou por acumular desgastes nos meses em que ficou no cargo, mas resistiu a editorais de grandes veículos de mídia brasileiros que "pediam sua cabeça".

Ele resistiu aos veículos de mídia, mas como ser humano, deve ter ficado magoado com o que passou.

Em um desses episódios, o ministro precisou se explicar após supostamente antecipar uma fase da operação Lava Jato. A divulgação foi:

"Teve a semana passada, e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim", disse ele a um grupo de pessoas durante campanha eleitoral de prefeito no interior de São Paulo, em setembro.

No dia seguinte, ele negou que tivesse adiantando ações da Polícia Federal - afirmou que a afirmação ocorreu porque houve operações desde que ele assumiu o cargo de ministro da Justiça.

Pois é... Disse e "desdisse"...

Pulando direto para 2022!

Em 16 de agosto de 2022 o ministro Alexandre de Moraes tomou posse  como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na cerimônia em referência duas mil pessoas foram convidadas.

Eu acho modestamente, como cidadã, que uma cerimônia com tantos convidados deve ter tido algum bouffet.  E acredito que o dinheiro público pagou esse bouffet, pois é acertado dizer que ministro não faz "vaquinha" para convescote. E também acredito que esse tipo de cerimônia deveria ser restrita aos membros do alto escalão do judiciário, suas famílias (esposa/marido, companheiros, filhos, namoradas/namorados) e alguns membros da imprensa para a devida publicidade.

Tudo bem...

Após o lauto encontro, certo é que o  mandato do novo presidente do TSE será de dois anos. 

O ministro Moraes assume o lugar de Edson Fachin, que ocupava o cargo desde fevereiro. O ministro Ricardo Lewandowski (que eu acho lindíssimo!) assume como vice-presidente da Justiça Eleitoral e segue na linha de frente.

A solenidade de posse teve ainda a presença dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e José Sarney.

Veja bem: a ex-presidente Dilma ("impeachmada"), "aquele que não se pode dizer o nome", Michel Temer e José Sarney (os dois últimos do MDB). E veja: eram quatro ex-presidentes da república!

Também estava figurando como convidado o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) que considerou a posse do ministro uma cerimônia “histórica”.

Porquê histórica? 

Eu creio que diante desse panorama e de coisas curiosas que vêm acontecendo no país, posso assegurar por mera observação que é impossível ter independência e isenção sendo próximo de tantas pessoas que colaboraram para sua ascensão. 

Em Roma, os imperadores vetavam quem era general. Com a queda do primeiro império, os generais puderam governar províncias e partilhavam de prestígio idêntico ao dos senadores, enquanto o império avançava pela Europa, Ásia e um pedaço da África. Roma caiu quando os generais se desorganizaram sob o comando de um imperador que preferiu transferir-se da Itália para Constantinopla.

Vamos trazer isso para o Brasil: Hoje vemos que o Judiciário está acima do Legislativo. Está contra o Executivo. Está visível o desequilíbrio entre os Três Poderes da República. Apesar de termos um representante do Executivo que raras vezes saiu do Brasil e um Legislativo que trabalhou bastante aprovando leis essenciais para a sociedade brasileira, o Judiciário no ano de 2022 passou a frente dos demais.

Na história brasileira, de 64 pra cá vi presidentes serem removidos de seus cargos. Vi o Congresso Nacional fechar suas portas. Nunca soube de situações iguais ou sequer parecidas no Poder Judiciário. Por isso, acho tão importante para o cargo de ministro que o ser humano que o ocupa seja descompromissado com qualquer partido político. Seja distante das autoridades políticas. Seja fiel à lei, e somente ela. Sei que existem ministros assim. Mas não ponho a minha mão no fogo por todos.