terça-feira, 8 de setembro de 2026

Os Ungidos

Tem umas palavras que vivem sendo disperdiçadas como gírias... Ungido é uma! E ela tem um significado tão iluminado, que é um pecado disperdiçá-la com qualquer um.

Os ungidos de Deus, são homens e mulheres dedicados ao Evangelho de Cristo. Não comungam ou frequentam as messs dos Césares, não cobiçam o poder. São pessoas escolhidas, muitos são Pastores e Pastoras que exercem suas profissões, teem seus rebanhos dizimistas, conforme permite as Escrituras, utilizando essa verba para cuidar de seu templo e seus fiéis quando a necessidade se apresenta. São pessoas que lideram seus fiéis no caminho da retidão, organizam grupos de orações, apoiam familias em suas perdas e oficiam cerimônias de adeus. São pessoas que estendem a mão e uma palavra de conforto durante uma conversa trivial, mesmo para aqueles que não partilham de sua fé. Tive o prazer de conhecer alguns Pastores ungidos ao longo da minha vida. Um era meu amigo de faculdade, nunca tinha dinheiro sobrando, andava de ônibus quando o fusquinha parava, mas a sua Igreja foi uma das primeiras no Rio de Janeiro dos anos 80 a ter uma creche com enfermeiras e toda a infraestrutura para as fiéis que eram mães e trabalhavam fora. Lembro que liderei uma "vaquinha" para conserto do fusquinha, um veículo útil para levar as doações. Ele era um ungido de Deus, tenho certeza, assim como muitos! Ungidos de Deus sabem que "o pouco, com Deus, é muito, pois Ele proverá o necessário". Não se vendem por ternos elegantes ou contratos caros. Dão palestras sim, mas o que recebem ou doam ou revertem para a sua Igreja. Não se julgam melhor que outros Pastores, pois sabem que o único julgamento válido para si, vem de Deus. E um detalhe fundamental: sabem diferenciar as Leis de Deus das leis dos homens e obedecem ambas, porque são bons cidadãos e sabem que a conduta deles é exemplo constante de sua fé.



 

domingo, 6 de setembro de 2026

Trinta Anos. Muita Saudade.

Hoje completam trinta anos da morte do meu pai. Uma perda irreparável na minha existência, um vácuo impreenchivel, a pior herança que se pode receber. 

Meu pai era amigo, severo quando necessário, uma pessoa de alma sensível e solidária, equilibrado nas palavras e decisões. O dia de hoje está cinzento, chuvoso e frio, tal como a trinta anos atrás. Lembro que acordei cedo naquele dia e automaticamente chorei compulsivamente, sentindo que ele não estava mais nesse mundo. Horas depois, no hospital quando li o laudo, percebi que havia despertado do sono minutos antes dele falecer. Nós sempre fomos muito ligados, e lembro que mamãe (muito ciumenta dele, embora dissesse aos parentes e amigos que não) sentia  ciúmes até de mim. Era uma comunhão de pensamentos pois selos, música clássica e MPB, pintura, literatura, política e documentários estavam sempre na mesa de discussões. Ele cantava muito bem serestas e árias, também tocava piano e falava francês. Aprendi muito sobre tudo, creio que ele me "orientou como mãe" no que tangia aos rapazes da minha época, para evitar álcool ao sair e só fazer alguma coisa (aquilo mesmo!) de acordo com a minha vontade pois ser pressionada jamais, só admitia que eu agisse conforme minhas convicções. 

O prisma que seguiu era muito atual.  Até hoje é! Embora meu pai tenha nascido em 1929, criado em Fazenda na cidade de Barra do Piraí, montando sua égua Calçada ou a Estrela, correndo pelos campos e nadando no rio, viu os dois mundos. Estudou na capital de São Paulo, era chamado de Carioquinha por amigos paulistas e de Paulista pelos amigos cariocas, quando os vinha visitar. Ingressou no Banco Comercial do Estado de São Paulo, alcançou a chefia, passou por "encampações" até que recebeu o nome de Itaú. Antes de receber essa marca atual, veio transferido para o Rio de Janeiro para "remodelar" o sistema das agências e nele trabalhou até o "acordo" para que se aposentasse (coisas de um sistema que não existe mais). Foi um chefe que autorizava três dias de licença mensalmente as funcionárias que não se sentiam bem... Dizia ele, "funcionária com dor não rende, pra que submeter uma pessoa a isso?" Era pragmático e penso que também sou por herança genética. 

Ele cresceu odiando Getúlio, depois começou a apreciá-lo em muitas posições, e que o 24 de agosto de 1954 havia sido o pior de todos os aniversários devido ao suicídio de Vargas. Atravessou a Ditadura, era contrário a ela, se indignava com a Arena e passou a odiar secretamente a Direita. Mas eu percebia. Só não falávamos pois "certos assuntos são muito perigosos nesse momento", dizia ele. E eram mesmo! 

Prefiro lembrar dele com seu bom humor e contando piadas quando estava inspirado. Dançando rock, desajeitado, dizendo "bolero e tango são mais fáceis que isso!", e brincando com meus amigos e amigas quando a turma se reunia lá em casa. Tempos bons em que tive meu pai por perto. Só uma reclamação: não podia contar com ele para assistir partidas de tênis. "Dava sono". 

Saudade ...

Era difícil não rir quando ele fazia essa expressão

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Política é jogo de poder, Justiça não.

 


Política é jogo de poder, Justiça não.
Notícia é uma coisa, Justiça, outra. 
Há indícios que para um ministro gera suspeita. Não há crime para nenhum dos dois, mas suspeita e sem provas. 
Quanto ao outro ministro há encontros de duas horas em instituto do mesmo com banqueiro ainda solto, pagamento de serviços de alfaiataria de luxo, porém, há indícios mas não há crime, também. 
Até o momento não há investigação para nenhum dos dois. 
É importante que seja iniciada a investigação pelo STF. É importante afastar o Min. Mendonça pois ele vinha agindo seletivamente e realizando diligências sem submeter ao crivo do  plenário e por isso, há fortes indícios que o levariam à suspeição. Mas, suspeição pela parcialidade nas decisões, que também não é crime, é erro. Ele então, seria adequado apresentar desistência e transferir o Caso Master e suas implicações com "Dark Horse" ao Plenário que decidirá o declínio para outro Ministro por votação ou via sorteio. 
Para ambos, se crime houver, está muito distante da prescrição. No momento não há provas de existência de crime para nenhum dos dois. 
O trabalho de uma investigação não pode ocorrer de forma atabalhoada, e um processo dessa ordem, com o envolvimento dos Ministros, seguirá naturalmente em sigilo. 
Provas genuínas do Caso Master serão  mantidas, e que se quebre o sigilo para satisfazer a imprensa e a sociedade, já que outros foram. 
Quanto ao restante, não há necessidade de se envolver essa questão na disputa eleitoral, afinal nenhum dos Ministros é candidato (nem pode!). O processo no STF seguirá seu trâmite conforme a lei. 
O que é importante e causa espécie, é o fato de um senador da república pedir dinheiro a um banqueiro em prisão domiciliar, por telefone e pessoalmente, fato público e assumido pelo político que praticou, sem que esse político tenha sido alvo de busca e apreensão apesar das irregularidades cometidas. 
Então, que se haja de modo isonômico,  investigando a todos! Nada a quem e nada além!